Em 2022 a esquerda sinaliza que disputará o voto evangélico reconhecendo o impacto positivo da conversão para os brasileiros mais pobres.

O ex-presidente Lula e o deputado federal Marcelo Freixo durante reunião em maio de 2021.

Evangélicos já são um a cada três brasileiros, mas apesar da importância numérica desse fenômeno e de ele trazer consequências positivas para a vida dos brasileiros pobres, esse fenômeno é praticamente desconhecido e atacado de forma preconceituosa pelos brasileiros mais escolarizados — inclusive por aqueles que são de esquerda.

O voto evangélico influenciou o resultado da eleição presidencial de 2018, em parte porque o candidato vencedor foi o único que demonstrou interesse e respeito por esses religiosos. …


Globo e Record disputam audiência cristã, ao contrário do que o ambiente polarizado desta década sugere

Corisco por Othon Bastos em ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’,Glauber Rocha, 1964.

As pessoas que associam evangélicos, conservadorismo, Rede Record e governo Bolsonaro cometem dois equívocos:

  1. Há mais complexidade e pluralidade de valores entre evangélicos do que o conhecimento limitado sobre esse assunto sugere. Uma das características do protestantismo — e o cristianismo evangélico faz parte da tradição protestante — é a ideia da liberdade religiosa. A consciência do indivíduo e a relação da pessoa com Deus é mais importante do que a mediação das organizações. Quem não está satisfeito com as igrejas disponíveis, pode criar sua igreja. A consequência disso é que existem muitos tipos de igrejas hoje, que são produto…

O melhor cenário para Bolsonaro é instigar o debate sobre a pauta de costumes; o da esquerda é fortalecer canais de comunicação com moderados

Foto: Juliano Spyer

O presidente Jair Bolsonaro já não é franco favorito à reeleição em 2022. Ele corre o risco de nem chegar ao segundo turno pela maneira desastrada e irresponsável — para dizer o mínimo — como seu governo lidou com a pandemia. Isso se não houver impeachment antes.

A disputa está aberta e a única certeza em relação a 2022 é a de que o eleitor evangélico será protagonista na escolha do próximo presidente — como já foi em 2018 para eleger um candidato azarão, que não era o favorito do mercado nem tinha o apoio dos principais meios de comunicação…


A antropologia é das disciplinas mais exuberantes e, ao mesmo tempo, desprezadas ou ignoradas — com poucas e notáveis exceções como é o caso deste livro resenhado pela The Economist— no mundo contemporâneo. Neste rascunho, reabro um diálogo incômodo com dois antropólogos, um que eu conheço bem, o Dr. Ryan O’Byrne, e outro que conheci ontem, o Dr. Vitor Queiroz, para perguntar por que eles não se esforçam mais para compartilhar com o resto das pessoas, inclusive com aquelas que elas estudam, o biscoito fino que eles produzem.

Ontem fui transportado de volta para o departamento de Antropologia da UCL, o lugar onde eu renasci espiritualmente — pode-se dizer.

Esse “teletransporte” aconteceu assistindo a apresentação do professor Vitor Queiroz da UFRGS. Ele apresentou o resultado de uma pesquisa longa que ele fez / vem fazendo. O título da fala de Vitor foi: Eu gosto de você porque você gosta de mim: pesquisando Bará-Exu, seus afetos e mediações, e está disponível neste link do YouTube.

Fiquei encantando assistindo Vitor — porque ele sorria, por causa de sua erudição divertida, pela beleza e complexidade do tema e porque o tema…


Apesar da baixa escolaridade, o brasileiro pobre está mais disposto a debater e tomar providências para salvar o mundo do caos climático.

Um dos problemas para se promover atitudes sustentáveis é tangibilizar algo que certamente ocorrerá, mas que ainda não vimos acontecer. Muitas pessoas simpatizam com o tema, mas essa preocupação não se converte em prática cotidiana. Mesmo entre as poucas pessoas que reconhecem a importância do assunto, uma fração dedica esforço para algo mais do que repassar notícias em redes sociais. Mas esse futuro sombrio pode ser mitigado se esse debate, geralmente reservado à bolha dos brasileiros mais escolarizados, chegar até os 80% mais pobres da população. …


Direitos reservados: Juliano Spyer

Os brasileiros mais escolaridades (geralmente brancos) desprezam evangélicos, considerados de forma estereotipada como fanáticos bolsonaristas, mercadores da fé ou intolerantes que atacam terreiros de religiões de matriz afro. Mas, conforme a literatura antropológica e sociológica registram, o cristianismo evangélico melhora a qualidade de vida dos brasileiros mais pobres (geralmente pretos e pardos). Os vídeos a seguir apresentam e contextualizam o crescimento dos evangélicos no país, inclusive para abrir possibilidades para ele ser criticado de maneira mais lúcida.

5 setembro 2020 — Entrevista com sociólogo e pastor Clemir Fernandes
Documentário “Santa Cruz” de João Moreira Salles, acerca da influência do pentecostalismo em uma região abandonada pelo Estado.
Documentário do sociólogo Andrew Johnson examina o fenômeno da conversão pentecostal nas prisões brasileiras.
Apresento nesta entrevista o motivo para escrever o livro Povo de Deus: Quem são os evangélicos e por que eles importam. Vídeo feito para a República do Amanhã, de 29 de outubro de 2020.

Why is the most popular religion among Brazil’s people of African descent ignored and attacked by so many educated white Brazilians?

Everything that, when it was black, it was from the devil / And then it turned white and it was accepted I’ll call Blues / That’s it, understand / Jesus is blues

Baco Exu do Blues, Bluesman

Racism is a widely debated topic in Brazil today, due to the size of the Afro-descendant population, the racism that endures in social relations and more recently because of the debates opened in the United States as a result of the Black…


Por que a maior religião dos pobres afrodescendentes é ignorada e atacada por tantos brasileiros brancos escolarizados?

Em outubro do ano passado eu publiquei um livro — Povo de Deus: Quem são os evangélicos e por que eles importam (Geração Editorial) — apresentando aquilo que é lugar-comum para sociólogos e antropólogos que estudam religião: que entrar para a igreja evangélica melhora as condições de vida dos brasileiros mais pobres. Uma das motivações para escreve-lo foi entender por que a religião de um a cada três brasileiros — especialmente de pretos e pardos pobres — é um assunto praticamente ignorado pela elite escolarizada — predominantemente branca — do Brasil?

Foto: Juliano Spyer. Direitos reservados.

Além de não se interessarem pelo tema, intelectuais, formadores…


No livro ‘Fogo, Cerrado!’, Marcos Wilson Spyer Rezende destaca o bioma como grande influenciador de atitudes. Saiba mais ou compre pela Amazon.

Fonte: O Estado de S. Paulo · 27 jan. 2021 · Ubiratan Brasil

As primeiras linhas foram escritas em 1962 — era para ser um conto, depois uma novela, até se transfor- mar no romance Fogo, Cerrado! (Geração Editorial), recentemente lançado pelo escritor e jornalista Marcos Wilson Spyer Rezende. “A essência, todos os personagens, trama, cenário estavam no texto origi- nal de 62”, conta o autor, que trabalhou no Estadão. “Na época, sabia de cor e, nos primeiros anos, fui fazendo correções na cabeça, burilando frases, acrescentando detalhes de cada personagem, enriquecendo o ambiente. …


Nota atualizada de 5 de jan: o registro continua valendo sobre como é fácil gerar lixo eletrônico, que é difícil e caro de ser reaproveitado e portanto é super poluente. Mas sou admirador do bom serviço ao cliente e a Amazon dispensou algumas horas de vários de seus funcionários para testar detalhadamente o meu Kindle — que já estava com a garantia vencida — e no final me ofereceu um vale-presente no valor de 80% do preço do mesmo equipamento. Não resolve o outro problema, mas dá um exemplo que surpreendentemente não está claro para muitas empresas grandes. A Amazon…

juliano spyer

ethnographer, digital media enthusiast and writer

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