A antropologia é das disciplinas mais exuberantes e, ao mesmo tempo, desprezadas ou ignoradas — com poucas e notáveis exceções como é o caso deste livro resenhado pela The Economist— no mundo contemporâneo. Neste rascunho, reabro um diálogo incômodo com dois antropólogos, um que eu conheço bem, o Dr. Ryan O’Byrne, e outro que conheci ontem, o Dr. Vitor Queiroz, para perguntar por que eles não se esforçam mais para compartilhar com o resto das pessoas, inclusive com aquelas que elas estudam, o biscoito fino que eles produzem.

Ontem fui transportado de volta para o departamento de Antropologia da UCL, o lugar onde eu renasci espiritualmente — pode-se dizer.

Esse “teletransporte” aconteceu assistindo a apresentação do professor Vitor Queiroz da UFRGS. Ele apresentou o resultado de uma pesquisa longa que ele fez / vem fazendo. O título da fala de Vitor foi: Eu gosto de você porque você gosta de mim: pesquisando Bará-Exu, seus afetos e mediações, e está disponível neste link do YouTube.

Fiquei encantando assistindo Vitor — porque ele sorria, por causa de sua erudição divertida, pela beleza e complexidade do tema e porque o tema…


Apesar da baixa escolaridade, o brasileiro pobre está mais disposto a debater e tomar providências para salvar o mundo do caos climático.

Um dos problemas para se promover atitudes sustentáveis é tangibilizar algo que certamente ocorrerá, mas que ainda não vimos acontecer. Muitas pessoas simpatizam com o tema, mas essa preocupação não se converte em prática cotidiana. Mesmo entre as poucas pessoas que reconhecem a importância do assunto, uma fração dedica esforço para algo mais do que repassar notícias em redes sociais. Mas esse futuro sombrio pode ser mitigado se esse debate, geralmente reservado à bolha dos brasileiros mais escolarizados, chegar até os 80% mais pobres da população. …


Direitos reservados: Juliano Spyer

Os brasileiros mais escolaridades (geralmente brancos) desprezam evangélicos, considerados de forma estereotipada como fanáticos bolsonaristas, mercadores da fé ou intolerantes que atacam terreiros de religiões de matriz afro. Mas, conforme a literatura antropológica e sociológica registram, o cristianismo evangélico melhora a qualidade de vida dos brasileiros mais pobres (geralmente pretos e pardos). Os vídeos a seguir apresentam e contextualizam o crescimento dos evangélicos no país, inclusive para abrir possibilidades para ele ser criticado de maneira mais lúcida.

5 setembro 2020 — Entrevista com sociólogo e pastor Clemir Fernandes
Documentário “Santa Cruz” de João Moreira Salles, acerca da influência do pentecostalismo em uma região abandonada pelo Estado.
Documentário do sociólogo Andrew Johnson examina o fenômeno da conversão pentecostal nas prisões brasileiras.
Apresento nesta entrevista o motivo para escrever o livro Povo de Deus: Quem são os evangélicos e por que eles importam. Vídeo feito para a República do Amanhã, de 29 de outubro de 2020.

Why is the most popular religion among Brazil’s people of African descent ignored and attacked by so many educated white Brazilians?

Everything that, when it was black, it was from the devil / And then it turned white and it was accepted I’ll call Blues / That’s it, understand / Jesus is blues

Baco Exu do Blues, Bluesman

Racism is a widely debated topic in Brazil today, due to the size of the Afro-descendant population, the racism that endures in social relations and more recently because of the debates opened in the United States as a result of the Black…


Por que a maior religião dos pobres afrodescendentes é ignorada e atacada por tantos brasileiros brancos escolarizados?

Em outubro do ano passado eu publiquei um livro — Povo de Deus: Quem são os evangélicos e por que eles importam (Geração Editorial) — apresentando aquilo que é lugar-comum para sociólogos e antropólogos que estudam religião: que entrar para a igreja evangélica melhora as condições de vida dos brasileiros mais pobres. Uma das motivações para escreve-lo foi entender por que a religião de um a cada três brasileiros — especialmente de pretos e pardos pobres — é um assunto praticamente ignorado pela elite escolarizada — predominantemente branca — do Brasil?

Foto: Juliano Spyer. Direitos reservados.

Além de não se interessarem pelo tema, intelectuais, formadores…


No livro ‘Fogo, Cerrado!’, Marcos Wilson Spyer Rezende destaca o bioma como grande influenciador de atitudes. Saiba mais ou compre pela Amazon.

Fonte: O Estado de S. Paulo · 27 jan. 2021 · Ubiratan Brasil

As primeiras linhas foram escritas em 1962 — era para ser um conto, depois uma novela, até se transfor- mar no romance Fogo, Cerrado! (Geração Editorial), recentemente lançado pelo escritor e jornalista Marcos Wilson Spyer Rezende. “A essência, todos os personagens, trama, cenário estavam no texto origi- nal de 62”, conta o autor, que trabalhou no Estadão. “Na época, sabia de cor e, nos primeiros anos, fui fazendo correções na cabeça, burilando frases, acrescentando detalhes de cada personagem, enriquecendo o ambiente. …


Nota atualizada de 5 de jan: o registro continua valendo sobre como é fácil gerar lixo eletrônico, que é difícil e caro de ser reaproveitado e portanto é super poluente. Mas sou admirador do bom serviço ao cliente e a Amazon dispensou algumas horas de vários de seus funcionários para testar detalhadamente o meu Kindle — que já estava com a garantia vencida — e no final me ofereceu um vale-presente no valor de 80% do preço do mesmo equipamento. Não resolve o outro problema, mas dá um exemplo que surpreendentemente não está claro para muitas empresas grandes. A Amazon…


As entrevistas para a rede DW Brasil e para o podcast Caravelas + Ideia foram seguidas por publicações nO Globo, Estadão, Folha de SP, Carta Capital, My News e Headline BR. A repercussão incluiu ainda uma apresentação para o think tank República do Amanhã, um comentário durante culto da Primeira Igreja Batista do RJ e uma live com o pastor Levi Araujo.

A seguir estão algumas das publicações que repercutiram o lançamento do livro POVO DE DEUS Quem são os evangélicos e por que eles importam

04/OUT A primeira menção ao livro apareceu na coluna de Lauro Jardim em O Globo:

Com apresentação de Caetano Veloso (“é saudável ver retratado em estudo cuidadoso o clima de honestidade dos fiéis que não podem ser confundidos com descaminhos éticos de certas lideranças”), o livro ajuda a entender por que em uma década os evangélicos serão mais numerosos que os católicos no Brasil.

07/OUT Foi ao ar uma conversa para o podcast Caravelas + Ideia


O livro pode ser encontrado em livrarias na maior parte dos Estados do país, de Palmas (TO) a Campina Grande (PB), mas algumas capitais como Porto Alegre (RS) e Vitória (ES) surpreendentemente não aparecem na lista

Todos os exemplares da primeira tiragem de Povo de Deus Quem são os evangélicos e por que eles importam foram distribuídos. É uma ótima notícia! Pedi alguns para a editora e teremos que esperar tiragem nova. A lista está abaixo e é emocionante pensar em um livro sobre Ciências Sociais em livrarias populares Brasil a fora.

Ao mesmo tempo, foi surpreendente o livro estar em Campina Grande na Paraíba, mas não em João Pessoa; em Vila Velha no Espírito Santo, mas não em Vitória, em Pelotas no Rio Grande do Sul mas não em Porto Alegre, e — talvez as…


Um dos argumentos principais do livro Povo de Deus repetido em várias entrevistas — é que a palavra "evangélico" se tornou um tipo de xingamento para atacar, de forma genérica e preconceituosa, 65 milhões de brasileiros. Quem usa o termo dessa forma muitas vezes é quem tem maior escolaridade no país e, apesar disso, conhece menos sobre o assunto.

No trecho a seguir, transcrito do vídeo acima, o Pr. João Fonseca, da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, comenta sobre o livro, mas antes de fazer isso, ele menciona como é raro que a "imprensa secular", aquela…

juliano spyer

ethnographer, digital media enthusiast and writer

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